segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Retorno


Desejo o mundo
Perambulando meu corpo
Grito. Sufoco. Mordo.
Num único segundo

De volta em mim
A intensidade de outrora
Hoje. Sempre. Agora.
Alívio e cor: enfim

O infinito eu desejo
Cantarolando poesia
Invade meu ventre, alegria!
Impetuoso ensejo

De volta ao espelho
o semblante proibido.
Meu reflexo verdadeiro
Corajoso
Permitido

Sou eu
novamente,
no fim assim:
por um fio.

Resposta


Se eu deixasse
minha boca ser beijada
minha roupa arrancada
você e eu agarrados

não poderia não pensar
nem deixar pra lá.

Se eu deixasse
a gente ia sim esquecer
o amanhã e o depois
o agora seria o infinito
nós dois.

E aí,
não poderia não pensar
nem deixar pra lá.

Se eu deixasse
dizer coisas que sente e pensa
ouviria suas angústias
com cafuné e poesia, atenta.

E já que diz que não mente,
eu deixo você querer
a porta esta aberta
não precisa bater,
entre.

Apenas entenda:
Já não poderei não pensar
nem deixar pra lá.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Retrato


De que adianta
Essa coragem que me apavora?
Essa liberdade que me aprisiona?
Ser solidão na multidão?
Pra que tantos sonhos?
São só sonhos.
Que alegria é essa tão triste?

Anoiteceu.
Ventania.
Tudo é poeira:
o amor
a música
a poesia.

Foi-se o tempo
em que era verdade
toda minha mentira...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Lamento


Ontem, eu era toda madrugada.
Misturada a copos, sonhos e corpos, eu era toda coração.
Procurei, respiração ofegante, teu olhar.
Em cada barulhenta esquina.
Tentei reconhecer, alma inquieta, tua voz.
Em cada barulhenta esquina.
Só encontrei silêncio.
Solidão.
Saudade.

Em cada barulhenta esquina.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Promessa



http://www.youtube.com/watch?v=3QhppqHtYbg

Se soubesse.
Se quisesse.
Se viesse...

Beijo demorado. Abraço enroscado. Espera. Ensejo. Desejo. Anseio. Entrega. Mãos dadas. Coração alegre. Falta de ar. Medo de perder. Coragem pra viver. Sossego. Falta dele. Apego. Acalanto. Aconchego. Encanto. Flores. Cafuné. Perdão. Desejo. Sexo. Muito sexo. Poesia. Noite estrelada. Dia de sol. Banho de chuva. Cerveja quando o sol se pôr. Cerveja até o sol nascer. Horizonte. Infinito. Anoitecer. Amanhecer. Folhas caídas nas tardes de outono. Dengo. Consolo. Samba. Livros. Loucura. Cheiro. Toque. Olhar. Respeito. Deleite. Primavera. Sorvete. Conversa. Pés descalços. Pé com pé. Leveza. Cama. Vontade. Admiração. Carinho. Paixão. Muita paixão. Sorriso escancarado. Segurança. Insegurança.
Vida compartilhada. Liberdade compartilhada. Amor compartilhado.

Amor
Amor
Amor

(o resto,prometo,será detalhe)

Se soubesse.
Se quisesse.
Se viesse...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tempestade


Chove em mim
olhos vermelhos
espectros, espelhos
amanheci assim

Aqui, gotas
coração arredio
eu por um fio

De mim, já não sei
reflexo de outrora
chove muito agora

Aqui, mar
anoitece o coração
eu nua, solidão

Chove em mim
eu coragem: covarde.
Amanheça, alma que arde!
que não seja o fim
que não seja tarde...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ao meu primeiro amor




Aos 14 anos, amei pela primeira vez. Meu primeiro amor platônico. Antes dos outros tantos. Ele nunca soube do amor que por ele sentia. Lembro das lágrimas que eu derramava no silêncio e na solidão da noite. Tão menina, tão mulher...
Hoje, revirando meus papeis amarelados, encontrei os versos que me fizeram reviver os tempos que não voltam... Mais de 10 anos depois, publico a declaração que nunca saiu do papel de carta, e que a falta de coragem nunca me permitiu entregar ao meu primeiro amado. Hoje, mais de 10 anos depois, me declaro ao meu primeiro ex-amor.


Sua alma é um desafio
que não canso de enfrentar
seu corpo um caminho
por onde quero sempre andar

Cada toque, um segredo
que tento desvendar
quero te amar, sem medo
nao deixe o tempo passar...

Teu olhar silencia
cada angústia minha
me cura, me salva
me alegra, celebra

Teu amor é minha verdade
faz da minha vida, poesia
"que seja infinito enquanto dure"
Que seja eterno a cada dia...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Era uma vez



Era uma vez uma moça
Que de tão grande
Intitulou-se livre
De tão livre
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que de tão moça
Fingiu-se mulher
De tão mulher
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que de tão grande
Fez-se pequena
De tão pequena
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que calou o coração
Apresentou-se coragem
De tanta coragem
Medo.

A moça de hoje,
Que de tão solitária
desvendou o segredo
Despiu-se do antigo espelho
É novo o reflexo
O mais nu enredo

A moça de hoje,
Que de tão crescida
Mudou o desfecho
Despiu-se das mentiras
É novo o reflexo
O mais nu enredo

Essa moça,
Que de tão moça,
Descobriu-se mulher
Guardava na caixa,
e ninguém sabia,
O amor, mais que o desejo...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mais do mesmo



É novo o ano
e no fim resta mais do mesmo:
alegria angustiada
fome que dilacera
meninos perfurados
por fuzis encantados
medo de amar
e da falta de amor.
Liberdade que redime
solidão que oprime
copos cheios
corações vazios
pés descalços
olhares doloridos.

O ano é novo
e no fim resta mais do mesmo:
noites e dias
corpos nas ruas
cruas almas
desatados nós
desencanto
desencontro.

Novíssimo ano
das mais mentirosas promessas
da mais fulgaz alegria

Ano novo, velho ano.
Feliz dia internacional do mesmo.