
Profundamente me olhou
Como se desejasse ser das tristezas, homicida
E eu, inevitavelmente pelo seu olhar vencida,
Derramo uma lágrima e vou.
Sua alma: apedrejada
O que me foi revelado pela textura das mãos
Munidas de dor e fadigadas: esforços vãos,
Já não tem nada.
Quando o sol desponta
E leva fulgor às moças e moços abastados
Há tempos já cumpre seu castigo, fardos
de uma existência-afronta
Profundamente me olhou
Não apenas olhos, era por inteiro tristeza
Mesmo assim, inundado de uma estranha beleza
Inesperadamente caminhou
E como se o fim fosse uma necessidade,
A dolorosa e aliviada cessação definitiva da vida,
Ao partir, deixou você tão dolorosa ferida
Que clama ser ouvida pelas ruas da cidade...

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