Rasgue toda alegria que dei
Encha-a de lágrimas, sangue e pó
E num sopro: deixe-me aqui tão só
como todas as vezes que amei
E quando for acariciado pelo vento
Trazendo de volta a poeira angustiada
Peço: jogue-a novamente ao nada
como todo pérfido momento
Rasgue a poesia que cantei
Encha-a de descontínuos rabiscos
E dolorosamente: reduza os riscos
Que minha coragem já não sei
E quando versos sedutores cantarolar
Dessa alma que me desconcerta
Temo: já estarei tão desperta
que não saberei deliciosamente ousar
Rasgue a alegre impetuosidade
Encha-a de silêncio, timidez e tristeza
E fim: eu que era liberdade e destreza
Sou só amor, poeira, saudade.

=(
ResponderExcluirdor de amor.
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