
Outono.
Vontade da entrega. Aquela plena, com coração acelerado. A que acalanta a alma e treme o corpo. Gela as mãos e torna rubro o semblante.
A entrega eu espero. Repleta de voos rasantes. Com respiração ofegante e pés quentes no frio. Aquela que colore dias cinzas e combina incrivelmente com beijo demorado, sexo e coragem.
Quero tanto a entrega. Com gosto de doce de leite, cerveja e cachaça mineira. Alegre como conversa de boteco. Intensa como o último dia.
Acredito na entrega. Entrega com estrelas, samba e mãos dadas. Bonita como nascer do sol na Serra e pôr do sol no litoral. Iluminada tal como noite de lua cheia.
Outono.
Preciso da entrega. Para erotizar minha poesia. Escandalizar minha gargalhada. Escancarar meu desejo numa nudez por inteiro. Me embebedar de um amor nunca visto. Apaixonado e festivo.
E que,
numa tarde de outono,
essa entrega encha de vida minha liberdade,
que de tão solidão, é dor que oprime
e faz de mim prisioneira
sem piedade.

É, pensando bem, As folhas ainda caem na primavera e tão cinza e marrom se tocam em outono... É, ainda parece outono!
ResponderExcluir:)
Tem razão! O outono transcende - certas vezes - a delimitação das estações...
ResponderExcluir