quinta-feira, 10 de março de 2011

Promessa de quarta-feira de cinzas






Prometo negar:
beijo a um desconhecido,
Ou ao amor não correspondido,
entrega à paixão proibida,

Quando o carnaval terminar.

É promessa minha não aceitar:
A última cerveja, a dos embebedados,
A cachaça pura, com lágrima e suor,
A noite com poesia e risos,

Quando o carnaval terminar.

Renunciarei meus vícios:
Samba pela madrugada. Abraços sem fim. Copos esvaziados. Risadas escandalosas. Sorriso singelo. Choro sincero. Música na chuva. Paixão desenfreada. Boemia.
Amor sem medida.
Amar. Amor. Amar.

Se o carnaval acabar.

Quando o carnaval terminar, eu prometo:
Será o fim da alegria,
Serei poeira, solidão, cinza,
E sofrerei por aí, em cada esquina,

Triste sem o carnaval...

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