quarta-feira, 1 de junho de 2011

Tarde de outono


Outono.
Vontade da entrega. Aquela plena, com coração acelerado. A que acalanta a alma e treme o corpo. Gela as mãos e torna rubro o semblante.
A entrega eu espero. Repleta de voos rasantes. Com respiração ofegante e pés quentes no frio. Aquela que colore dias cinzas e combina incrivelmente com beijo demorado, sexo e coragem.
Quero tanto a entrega. Com gosto de doce de leite, cerveja e cachaça mineira. Alegre como conversa de boteco. Intensa como o último dia.
Acredito na entrega. Entrega com estrelas, samba e mãos dadas. Bonita como nascer do sol na Serra e pôr do sol no litoral. Iluminada tal como noite de lua cheia.

Outono.
Preciso da entrega. Para erotizar minha poesia. Escandalizar minha gargalhada. Escancarar meu desejo numa nudez por inteiro. Me embebedar de um amor nunca visto. Apaixonado e festivo.

E que,
numa tarde de outono,
essa entrega encha de vida minha liberdade,
que de tão solidão, é dor que oprime
e faz de mim prisioneira
sem piedade.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Pranto


Grito
Há um homem esfacelado
Por inteiro proibido
Coração enredado

Choro
É solidão que não termina
Mundo vasto, eu pequena
Coração desafina

Saudade
Do efêmero infinito
Meia-noite com acalanto
Coração invadido

Segredo
Tempestades na madrugada
Outrora poesia, hoje pranto
Coração embriagado

Suspiro
Há uma moça tão triste
Por inteiro calada
Coração que insiste
Eu, só, fuligem...

Mais nada.

terça-feira, 19 de abril de 2011

São Thomé das Letras






A lua amarela
amanheceu em mim.
O cinza das pedras
Clareou-se.
Abrilhantou-se.
Cristalizou-se.

A limpidez das águas
foi meu acalanto.
O meu acinzentado coração
Coloriu-se.
Perdeu-se.
Encontrou-se.

A plenitude das montanhas
penetrou em mim.
A palavra cinzenta
Esverdeou-se.
Alegrou-se.
Eternizou-se.

Fez-se um céu em mim.
Infinito e repleto
de estrelas e cristais
poesia e encanto

Amor, amor, amor.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Acinzentada


Coração apertado.
Anoiteceu em mim.

Noite que não termina. Noite que não mais virá. Nuvem cinza. Poesia sem sol. Saudade. Coragem ao contrário. Desejo. Fuga. Volta. Lembrança. Amor. Tristeza. Perda. Pedaços e poeira.
Eu por um fio...
Certeza sem cor.

Fim.

sábado, 26 de março de 2011

Relato de uma morte súbita ou autorretrato



Há um buraco no peito
e um dedo esmagado
o corpo anda gelado
como se ardendo em um leito

O fim foi duramente constatado
Morte súbita: desejo
Lenta dor do teu beijo
É esse amor embriagado

Que trágico desfecho triste
para este adoecido coração
se era alegre, como antes viste
hoje padece na solidão...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Promessa de quarta-feira de cinzas






Prometo negar:
beijo a um desconhecido,
Ou ao amor não correspondido,
entrega à paixão proibida,

Quando o carnaval terminar.

É promessa minha não aceitar:
A última cerveja, a dos embebedados,
A cachaça pura, com lágrima e suor,
A noite com poesia e risos,

Quando o carnaval terminar.

Renunciarei meus vícios:
Samba pela madrugada. Abraços sem fim. Copos esvaziados. Risadas escandalosas. Sorriso singelo. Choro sincero. Música na chuva. Paixão desenfreada. Boemia.
Amor sem medida.
Amar. Amor. Amar.

Se o carnaval acabar.

Quando o carnaval terminar, eu prometo:
Será o fim da alegria,
Serei poeira, solidão, cinza,
E sofrerei por aí, em cada esquina,

Triste sem o carnaval...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mais uma resposta


Desejo que beije meus pés
E pelas minhas pernas suba
Quero que sinta meu cheiro
E cheire minha cor
Desejo te dar meu colo,
que me inunde, com desejo
e habite minha nuca,
com barba em meu rosto...

Desejo... ah, desejo!
Que beije deliciosamente minha boca
e que fique demoradamente em mim

Te desejo,
Tanto.
E não deixo,
quando estirado em meu leito,
pensar em partir...