sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Promessa



http://www.youtube.com/watch?v=3QhppqHtYbg

Se soubesse.
Se quisesse.
Se viesse...

Beijo demorado. Abraço enroscado. Espera. Ensejo. Desejo. Anseio. Entrega. Mãos dadas. Coração alegre. Falta de ar. Medo de perder. Coragem pra viver. Sossego. Falta dele. Apego. Acalanto. Aconchego. Encanto. Flores. Cafuné. Perdão. Desejo. Sexo. Muito sexo. Poesia. Noite estrelada. Dia de sol. Banho de chuva. Cerveja quando o sol se pôr. Cerveja até o sol nascer. Horizonte. Infinito. Anoitecer. Amanhecer. Folhas caídas nas tardes de outono. Dengo. Consolo. Samba. Livros. Loucura. Cheiro. Toque. Olhar. Respeito. Deleite. Primavera. Sorvete. Conversa. Pés descalços. Pé com pé. Leveza. Cama. Vontade. Admiração. Carinho. Paixão. Muita paixão. Sorriso escancarado. Segurança. Insegurança.
Vida compartilhada. Liberdade compartilhada. Amor compartilhado.

Amor
Amor
Amor

(o resto,prometo,será detalhe)

Se soubesse.
Se quisesse.
Se viesse...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Tempestade


Chove em mim
olhos vermelhos
espectros, espelhos
amanheci assim

Aqui, gotas
coração arredio
eu por um fio

De mim, já não sei
reflexo de outrora
chove muito agora

Aqui, mar
anoitece o coração
eu nua, solidão

Chove em mim
eu coragem: covarde.
Amanheça, alma que arde!
que não seja o fim
que não seja tarde...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ao meu primeiro amor




Aos 14 anos, amei pela primeira vez. Meu primeiro amor platônico. Antes dos outros tantos. Ele nunca soube do amor que por ele sentia. Lembro das lágrimas que eu derramava no silêncio e na solidão da noite. Tão menina, tão mulher...
Hoje, revirando meus papeis amarelados, encontrei os versos que me fizeram reviver os tempos que não voltam... Mais de 10 anos depois, publico a declaração que nunca saiu do papel de carta, e que a falta de coragem nunca me permitiu entregar ao meu primeiro amado. Hoje, mais de 10 anos depois, me declaro ao meu primeiro ex-amor.


Sua alma é um desafio
que não canso de enfrentar
seu corpo um caminho
por onde quero sempre andar

Cada toque, um segredo
que tento desvendar
quero te amar, sem medo
nao deixe o tempo passar...

Teu olhar silencia
cada angústia minha
me cura, me salva
me alegra, celebra

Teu amor é minha verdade
faz da minha vida, poesia
"que seja infinito enquanto dure"
Que seja eterno a cada dia...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Era uma vez



Era uma vez uma moça
Que de tão grande
Intitulou-se livre
De tão livre
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que de tão moça
Fingiu-se mulher
De tão mulher
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que de tão grande
Fez-se pequena
De tão pequena
Solitária.

Era uma vez uma moça
Que calou o coração
Apresentou-se coragem
De tanta coragem
Medo.

A moça de hoje,
Que de tão solitária
desvendou o segredo
Despiu-se do antigo espelho
É novo o reflexo
O mais nu enredo

A moça de hoje,
Que de tão crescida
Mudou o desfecho
Despiu-se das mentiras
É novo o reflexo
O mais nu enredo

Essa moça,
Que de tão moça,
Descobriu-se mulher
Guardava na caixa,
e ninguém sabia,
O amor, mais que o desejo...

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mais do mesmo



É novo o ano
e no fim resta mais do mesmo:
alegria angustiada
fome que dilacera
meninos perfurados
por fuzis encantados
medo de amar
e da falta de amor.
Liberdade que redime
solidão que oprime
copos cheios
corações vazios
pés descalços
olhares doloridos.

O ano é novo
e no fim resta mais do mesmo:
noites e dias
corpos nas ruas
cruas almas
desatados nós
desencanto
desencontro.

Novíssimo ano
das mais mentirosas promessas
da mais fulgaz alegria

Ano novo, velho ano.
Feliz dia internacional do mesmo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O último dia



Todos os dias saía antes do sol nascer. Rosto cansado, mas mãos firmes: ainda havia esperança. Pernas vacilantes, mas coração repleto de brilho: impossível limitar seus sonhos.
Saiu pela última vez antes do sol nascer. A porta do barraco o levou para cena do crime. E do infinito. Carros pretos, pretos como ele, misturavam-se a canhões em forma de monstros gigantes e a gente furiosa como canhão. E a mais e mais carros pretos. Pretos como ele.
Tinha gente que comemorava, muita gente por sinal. Parecia dia de festa. Mas ele via corpos estirados. E não conseguia entender o alvoroço, os sorrisos. Por que aquelas vozes estavam carregadas de alegria? O vermelho que invadia o seu morro, o seu lugar tinha decretado fim à poesia que ele desejava.
Nesse dia, a última manhã, os pássaros escolheram não cantar, o baile fechou as portas e emudeceu. Todos silenciados pelo mesmo motivo: barulhos que invadiam pessoas com se nada fossem, como se nada quisessem, como se nada sentissem. E por que tantos ainda falavam? Por que tantos ainda compartilhavam aquela euforia?
Para muitos - especialmente os que não conheciam aquelas ruas, aqueles pássaros, aqueles bailes, aquela gente - era a festa da liberdade. A liberdade para oprimir, ou melhor, continuar oprimindo. A violência era a resposta. Ela salvaria todos. Ela garantiria a liberdade.
Mas ele não entendia.
No seu último dia antes do sol nascer, ele nem chegou a descer todas as ruelas. Num bocado de corpos amontoados, um lhe chamou atenção.Seu moleque mais novo agonizava no chão. Grito, lágrimas, silêncio. A maior angústia que poderia haver. Era o moleque dele, aquele que um dia desejara ser piloto de avião, bombeiro, professor e, nas horas vagas, médico. Aquele que dizia querer cuidar do mundo e salvar gente. Era o moleque dele.
Sua bondade virou dor.
Os homens de preto contaram que seu moleque andava metido no tráfico. Por isso, era assim que tinha que ser, era o preço da liberdade. Os homens de preto diziam e os jornais contavam pra todo mundo. Era assim que tinha que ser. Era o preço da liberdade. Por que será que o moleque que um dia desejou ser bombeiro, professor, médico e piloto se tornou o grande inimigo da pátria?
Sua esperança virou tristeza. Sua tristeza revolta. Sua revolta ira.
Ele correu o mais rápido que pode e arranjou um fuzil. Tremia feito um diabo. Chorava feito criança. Atirou corajosamente nos homens de preto. O troco: um banho de sangue. Dois na cabeça, alguns na perna, cinco do peito. Não importava. Já não havia coração ali. Já não havia vida ali. Já não havia nada.
Foi colocado junto aos corpos cheios de pecado. Era o preço da liberdade, precisava ser assim. Ele e seu moleque juntos como sempre. Era bonito de se ver. Contam que depois daquele dia houve festa. Todos finalmente estavam livres e oprimidos! Por mais estranha que pareça tal contradição, era como deveria ser. Pra que correr riscos?
Morreu de amor. Por amor. Por desamor? Morreu de tristeza, de lamento. Morreu pela liberdade dos outros. Talvez devesse receber uma medalha, isso tem cheiro de história de herói. Sim, e ele era: herói da liberdade de outrem,vítima da opressão.
Que venham mais homens de preto. Não esqueçam dos seus carros alegóricos enfeitados com caveiras e também não deixem pra trás seus parceiros com seus canhões. Precisamos dessa liberdade cheia de sangue e opressão.
Finalmente foi tudo resolvido e, nessa terra de ninguém e de todos nós, o bem deixou o mal pra alguém.
Mas pra quem?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fim


Renuncio:
os amores que foram
todos que virão
a poesia embebedada,
as tentações pecaminosas,
o gosto, o credo, a paixão.
Renuncio:
os amores que ficaram
aqueles que não serão,
versos apressados,
noites demoradas,
o olhar, o desejo, a rendição.
Renuncio:
todo amor que tenho,
recatado, desenfreado,
a utopia proibida (e a permitida)
a impetuosidade colorida,
o ensejo, a loucura, o coração.
Denuncio:
uma mulher cheia de pecado
renunciou a alegria,
desfaleceu cheia de virtudes;
eis um corpo gelado,
triste
estirado
no chão.